Unhas para que te quero?!

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Os gatos não nasceram para as pedicures, adoramos ter as unhas grandes para podermos enfiar e afiar as nossas pequenas garras em tudo e mais alguma coisa! Os sofás, as cadeiras de tecido, os tapetes e as cortinas estão à nossa mercê e que bem que sabe!

Gato no saco
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Os gatos não nasceram para as pedicures, adoramos ter as unhas grandes para podermos enfiar e afiar as nossas pequenas garras em tudo e mais alguma coisa! Os sofás, as cadeiras de tecido, os tapetes e as cortinas estão à nossa mercê e que bem que sabe! O que não sabe bem é ver as caras tristes e até zangadas dos nossos queridos donos quando se deparam com mais uns fios puxados! Vamos então tratar das unhas!

Como sabem, somos auto-suficientes por natureza e a manutenção das nossas unhas não foge à regra. Ao arranharmos os troncos das árvores do jardim (permitido!) ou o bonito sofá lá de casa (não permitido!) estamos, de facto, a tratar e a renovar as unhas, mas estas continuam grandes e, como para além dos danos materiais, podemos magoar fisicamente os nossos donos e os seus amigos, rendemo-nos à pedicure e aconselhamos o corte das nossas garras uma vez por mês. Existem gatos que precisam de uma “marcação” de quinze em quinze dias… a vida é dura para os felinos!

Atenção amáveis donos! Antes de começarmos, há uma nota muito importante a considerar: compre-me o meu próprio corta unhas. Gosto de partilhar consigo a minha vida e a sua casa, mas o corta unhas não! À venda na minha loja preferida: a dos animais!

Antes deste ritual, que de beleza tem muito pouco, prepare tudo o que precisa porque nós não gostamos de estar confinados à mesma posição durante muito tempo! Assegure ainda que tenha uma luz adequada para poder ver bem as minhas pequenas garras!

Agora vamos respirar fundo e vou explicar-lhe todo o processo, passo a passo.

Desligue a televisão e o telemóvel e preste atenção, isto é muito importante!

  • Ponha-me no seu colo e segure-me confortavelmente com o braço esquerdo. Use esse braço para pegar gentilmente na minha pata e, com recurso ao dedo indicador, pressione o centro da pata para expor as unhas. Sabia que as nossas unhas são retrácteis não sabia? Se não, ficou a saber! Agora que elas estão à vista, segure a pata de forma firme (se não vamos tentar fugir!), pegue no corta unhas com a mão direita e inicie a pedicure.
  • Antes de cortar, observe cada unha. Vai ver que as nossas unhas têm uma parte branca, seguida de uma parte rosada. Corte apenas a parte branca e curvada, sempre no sentido diagonal. O ideal é que a unha fique paralela ao chão. E não se esqueça que nós também temos cinco unhas! Aliás, alguns de nós até temos mais, por isso, não deixe escapar nenhuma!
  • A parte rosada contém sangue e nervos, sendo assim, se for atingida pode magoar-nos e vamos certamente sangrar! Não é nada agradável e deve evitar-se, no entanto, pode acontecer e, se assim for, não se preocupe, não é o fim do mundo! Não entre em pânico, se não eu também vou entrar e não me volta a apanhar tão depressa! Estanque o sangue com um pano limpo, um pouco de gaze ou algodão. Outro truque que funciona é colocar um pouco de farinha na unha – vai ver que acabo de sangrar depois de um minuto ou dois. Uns beijinhos e carícias também ajudam! É verdade, há gatos com unhas completamente pretas, por isso, nestes casos, o melhor é cortar menos unha, mas mais vezes.
  • Tratadas as patas dianteiras, há que passar para as de trás. Quer um conselho? Mantenha a mesma posição, mas pressione o seu corpo contra o meu. Assim, eu vou levantar as patas traseiras e facilitar o seu trabalho. Pode terminar a pedicure, de forma relaxada, como tem feito até agora!
  • Com a prática, e como tudo na vida, vou-me habituar a este ritual, até chegar o dia em que nem vou tentar fugir! Até lá, só peço paciência, alguma motivação e, por favor, não me castiguem, porque se não nunca mais vou cooperar! E se me derem uma daquelas guloseimas que estão guardadas no armário ao lado do micro-ondas, porto-me que nem um anjinho!
  • Claro que existem gatos menos cooperantes, o que exige humanos a dobrar na hora de tratar das unhas. Por exemplo, enquanto que uma pessoa me aconchega confortavelmente numa toalha, só com uma pata livre de cada vez (bela estratégia!), será mais fácil para a segunda pessoa cortar-me as unhas. Entretanto, eu vou aproveitar o quentinho da toalha para sonhar com o jantar…
  • Entre pedicures, e para não nos despir de todos os prazeres da vida, o ideal é comprar-nos aqueles postes de corda especialmente concebidos para os gatos e as suas garras. Pode ser? É que para além de deixarmos a mobília em paz, vamos poder manter a nossa rotina de ginástica diária: ao arranhar o poste de corda, trabalhamos os músculos das costas, dos ombros e das pernas. Que físico… vai ser a desforra total! Prrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr….

 Outros conselhos de quem sabe:

  • Se tiver dúvidas, antes de cortar as minhas unhas pela primeira vez aconselhe-se com o Dr. Veterinário que lhe vai mostrar direitinho como se faz!
  • Este ritual deve passar a fazer parte das nossas sete vidas mal surgem as primeiras unhas compridas. É como vocês humanos estão sempre a dizer: “de pequenino se torce o pepino”. Se me for habituando ao seu toque nas minhas patas e garras, especialmente com brincadeiras e massagens (isso sim é o paraíso!), não vou estranhar na hora da pedicure. Se eu fugir depois de cortadas apenas uma ou duas unhas deixe-me ir. Eu voltarei e, na próxima rodada, já vai cortar mais algumas e assim sucessivamente até completar a pedicure. Com o tempo, vamos conseguir arranjar as minhas unhas todas de uma só vez!
  • Para quem tem de enfrentar esta tarefa a solo, existem outras posições que podem facilitar a minha pedicure: para além do colo, pode pôr-me em cima de uma mesa (não se preocupe, não tenho vertigens!) ou agachar-se e encaixar-me entre as suas pernas (devagarinho….). Existem ainda gatos dorminhocos (pronto, eu sei, isso somos todos!), por isso, corrijo: gatos muito dorminhocos que até vos deixam cortar as suas unhas enquanto dormem a sesta e sonham com o Ratatouille! O truque é o mesmo: certifique-se que o deixamos tocar nas nossas patas enquanto dormimos e depois vá cortando tranquilamente. Se resistirmos ou se acordarmos, vá fazer alguma coisa e depois volte – não tarda nada estamos outra vez a ronronar!

 

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