Como adestrar um gato?

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Adestar um gato é uma tarefa que requer empenho, dedicação e paciência, misturados com muito carinho e bastante sabedoria. Os pequenos felinos podem ser difíceis de convencer, aprendendo apenas aquilo que querem aprender e no ritmo a que o desejam fazer. No entanto, não é impossível!

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Adestar um gato é uma tarefa que requer empenho, dedicação e paciência, misturados com muito carinho e bastante sabedoria. Os pequenos felinos podem ser difíceis de convencer, aprendendo apenas aquilo que querem aprender e no ritmo a que o desejam fazer. No entanto, não é impossível! Vamos conhecer algumas estratégias úteis para adestrar um gato.

Venha, fique, desça.

Estas são as ordens básicas que todos os gatos devem ser capazes de seguir. Apesar de toda a independência que os gatos apreciam e do prazer que os seus donos sentem ao constatar a forte personalidade dos seus animais, é muito importante que os gatos domésticos interiorizem algumas regras básicas que lhes permitam uma agradável convivência com seus humanos.

Conseguir que o gato perceba quando é para vir ter com o dono, ou pelo contrário, entender que é para ficar aonde está, ou estar treinado para relacionar o “desça” com a necessidade de parar o que estiver a fazer, é um dos primeiros passos para adestrar um gato. 

Conhecer o nome

Nomes muito complicados baralham o animal e só muito dificilmente chegam a ser assimilados por ele. É preferível escolher um nome mais curto e simples para que o gato seja capaz de o identificar e de o relacionar como sendo o nome ao qual é suposto reagir.

Estudos já efetuados neste sentido parecem demonstrar que palavras com apenas duas sílabas são as mais facilmente assimiladas pelos gatos, e são aquelas a que os pequenos felinos melhor respondem. É importante que o gato conheça o seu nome para saber quando o dono se está a dirigir a ele.

Aceitar o uso da coleira

Nos gatos, embora menos do que nos cães, é importante a aceitação da coleira. Coleiras inseticidas são usadas com frequência nos pequenos felinos a fim de controlar pragas como pulgas e carraças. Coleiras de passeio são também colocadas nos gatos quando os donos pretendem levá-los a passear ao exterior sem o risco de fuga ou atropelamento, e existe também a tradicional coleira decorativa com guizos ou laçarotes, com que muitos donos apreciam brindar os seus gatos.

A tendência inicial do gato é quase sempre a de tentar retirar a coleira com as patas chegando às vezes a provocar arranhões em si mesmo, e levando a que as coleiras se percam e a proteção diminua. Nesse sentido é útil adestrar o gato para que aceite a coleira como sendo parte integrante de si e desista de lutar contra ela. Colocações curtas durante espaços de tempo limitados são boas formas de conseguir que o gato se vá acostumando ao uso da coleira.

Locais para brincar e locais proibidos

Uma das coisas mais difíceis de ensinar a um gato doméstico é fazer com que ele reconheça o que pode e o que não pode fazer. Fazer com que o gato distinga os sofás da sala do arranhador para ele brincar, é um desafio enorme para qualquer dono. Defender a integridade dos cortinados dos quartos desviando a atenção do gato para a sua casinha de brincadeiras pode ser mais complicado do que à partida se imagina.

No entanto é fundamental que o gato perceba pelo menos as regras mais importantes e que não encare toda a casa como um imenso parque de diversões. É inútil tentar interditar grandes áreas da casa se elas estiverem acessíveis ao animal, e o melhor a fazer é tentar uma adaptação do meio ao gato. Fechar as portas das divisões aonde realmente não é suposto o gato entrar, e aceitar que por muito que se tente, sempre haverá ocasionalmente algum estrago provocado pelo animal, são boas dicas a seguir.

Usar o tabuleiro das necessidades

Esta é talvez uma das poucas coisas que regra geral não é necessário ensinar aos gatos. Eles reconhecem instintivamente desde muito cedo o local destinado à satisfação das suas necessidades físicas, e desde que a areia se mantenha em bom estado de utilização, é pouco provável que surjam problemas neste domínio.

De qualquer maneira é possível registrar episódios esporádicos de gatos que urinam em locais da casa por motivos que aparentemente só eles percebem e que nada têm a ver com o seu tabuleiro de areia. Descartando a hipótese de problemas de saúde convém, por todos os motivos, treinar o gato para que tal não suceda.

Como fazer para treinar um gato?

Os gatos são muito mais exigentes do que os cães no que diz respeito ao treinamento. Não bastam palavras bonitas e gestos de carinho (embora ajudem, obviamente) para conseguir que estes pequenos felinos obedeçam às ordens e aos comandos. Tal como com os cães, resulta recorrer ao incentivo da recompensa pelos sucessos obtidos, mas essa recompensa no caso dos gatos precisa de ser algo mais substancial do que festinhas no cachaço.

Oferecer comida da qual ele goste é uma das formas mais inteligentes de entrar em negociações com um gato. Conseguir depois que o animal associe o petisco recebido com aquilo que acabou de fazer vai ajudar bastante a que interiorize que sempre que fizer algo que agrade ao dono será recompensado com comida. A altura da recompensa é também a ocasião propícia para proferir palavras que se pretende que o gato perceba tais como “vem” e o nome do gato.

Como fazer que o gato perceba que está a agir de forma errada?

Os gatos são muito sensíveis à entoação da voz do dono. Percebem imediatamente se o dono está feliz, triste ou zangado pela entoação com que proferem as palavras. O significado das palavras passa completamente despercebido aos gatos, no entanto registram o sentimento que está por trás daquilo que é dito e reagem a isso de forma mais intensa do que poderia ser suposto em animais tão independentes.

A melhor forma de conseguir que o gato perceba que agiu de forma inversa ao que dele era pretendido é falar-lhe numa voz severa sem demonstração de afeto. Rapidamente o pequeno felino assimilará que o dono está descontente e fará o possível para agradar-lhe numa próxima oportunidade.

O que nunca se deve fazer quando se adestra um gato

Nunca, mas nunca mesmo, empregar qualquer gênero de castigos que envolvam violência física numa tentativa de corrigir ou ensinar o animal. Para além de ser uma enorme cobardia agredir um pequeno animal sem meios nem entendimento para se defender de quem supostamente deveria amá-lo e estimá-lo, este gênero de punição é completamente inútil. Nenhum gato aprenderá o que quer que seja através de meios violentos.

Uma forma eficaz de fazer sentir ao gato que se comportou mal é o dono ausentar-se de perto dele, ou não o deixar por exemplo vir para o colo, ou recusar-se a fazer as habituais festinhas e afagos. Dessa forma o animal vai sentir que fez algo de errado e evitará que isso aconteça de novo.

Os gatos são animais altivos e nobres à sua própria maneira e fazem apenas o que querem fazer, quando querem, e da forma que querem. É certo que é possível ensiná-los e de certa forma domesticá-los, mas ainda assim isso acontece porque gostam dos donos e querem corresponder dentro das suas possibilidades ao afeto demonstrado. Claro que os incentivos materiais em forma de recompensas também contam muito, mas se o gato decididamente não gostar da pessoa recusar-se-á a aprender qualquer coisa que lhe pretendam ensinar.

Resumindo um pouco, gatos não são pessoas. Não se deve esperar deles o entendimento nem o comportamento dos humanos. Deve sempre respeitar-se a individualidade de cada gato e não exigir dele coisas que não estão ao seu alcance perceber. Com amor, dedicação e muita paciência é possível incutir-lhes regras básicas para que possam conviver de forma mais condizente com as etiquetas sociais, mas nunca se deve forçar o gato a deixar de ser gato, sob pena de se perder completamente o fascínio e o encanto desses pequenos felinos. Gostar de gatos é também aceitá-los com todos os possíveis inconvenientes que possam advir da sua integração em contextos familiares na certeza, porém, que o retorno do ponto de vista emocional é sempre muitíssimo compensador!

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